quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Aprendendo a andar

Quando a Rebeca tinha uns 10 meses deu os primeiros passos,
ela atravessou a sala, foi de uma ponta a outra e nós ficamos apreensivos,
mas estávamos vibrando de ver nosso bebê dar seus primeiros passinhos.
Pena que ela caiu...
Ela ficou tão assustada que não tentou andar mais naqueles dias.
Alguns dias depois, recomeçou sua aventura,
dessa vez apoiada numa caixa
Arrastava a caixa pra todo lado e assim atravessava a cozinha,
Mas a caixa virou e ela caiu por cima da caixa e foi aquele choro...
Novamente, mais alguns dias se passaram até ela tentar de novo
Por fim, nem sei como ou quando exatamente,
mas ela começou bem devagarinho
pé por pé, com coragem, e depois de muitas quedas, aprendeu a andar.
Aqui estou eu, nos meus 35 anos, tentando aprender a andar.
Já levei tantos tombos que me deixaram traumatizada,
Porém me levantei de todos eles e fui, às vezes apoiada nas pessoas,
outras, me segurando nas paredes, em caixas,
me agarrando em tudo que aparecia para tentar levantar
Mas andei.
Hoje, depois da última queda, preciso tomar a decisão de andar
Preciso me levantar, preciso deixar a dor da queda,
me esquecer dela e andar...
Algumas vozes gritam para mim: — Vamos! Levante-se! Sai dessa!
Mas dentro de mim outra voz clama e diz: — Ainda não!
— Não dá para esperar mais, você está se acomodando!
— Ainda não!
O meu eu insiste... Ainda não!
Preciso me levantar, preciso prosseguir,
preciso aprender a andar daqui pra frente,
Mas dentro de mim eu ouço: "Ainda não!"


A dor do luto nos derruba de tal forma que é difícil recomeçar
É preciso ter coragem de levantar
As crianças aprendem a andar no seu tempo
Não existe um método acelerador
Depois de uma queda é preciso chorar,
tomar novo fôlego e recomeçar
O luto é assim... cada um se recupera no seu tempo
A decisão de sair do luto vem de cada um
Não é exatamente o tempo que nos cura
Mas a decisão de continuar e aprender a andar

Mas... Ainda não!











1 Comentários:

Blogger marcus dutra disse...

dar tempo ao tempo, né? (:
forçar o andar não é bom.. senão a próxima queda pode quebrar um osso ou algo assim
beijão, tia. amo você. saudades

27 de agosto de 2008 às 16:20  

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