sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Sono

— Boooommm Diiiiiaaaaa! (disse o sol com aquele amarelão)
— mmmmm, vai ver se estou na China.
— Acabei de chegar e lá você não estava, não.
— Então se esconde atrás de uma nuvem qualquer e larga do meu pé.

— Cocóricóóóóóó! (Acordaaaaaa!), disse o galo.
— zzzzzzzzzzz
— Cocóricóóóóóó! (Acordaaaaa!), de novo disse o galo.
— zzzz... mais 10 minutos. zzzzz onde seleciono "soneca" em você, hein?
— Hum????


Essa bobeirinha é só para lembrar que eu sempre estou com sono, muito sono.

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

O aconchego do lar

Numa linda manhã, uma garotinha foi brincar na casa da amiga,
mas lá tinha um cachorro e ela tinha muito medo.
Apesar da insistência de que o cachorrinho era manso
e do esforço de todos, ela não se sentia segura.
Somente ao chegar em casa ela teve descanso de sua angústia.
Encontrar o aconchego do lar e o colo da mãe foi um santo remédio
para a frágil garotinha que estava até sem ar.

Numa tarde de sol, uma moça saiu de casa acompanhada do namorado,
mal sabia ela que encontraria no caminho um cachorrinho (pra ela um cachorrão)
Sim! Ela tinha medo de cachorro.
Foi terrível passar por aquele cachorro, mas ela não podia parar
tinha de chegar ao seu destino e depois voltar.
Ela foi e voltou em silêncio, o caminho pareceu duas vezes mais longo.
Quando por fim chegou à sua casa, colocou ali fora as suas compras e desabou em lágrimas.
Ali no aconchego do lar ela podia chorar e se consolar nos braços de sua mãe.

Numa noite escura demais, uma mulher teve de atravessar um vale de sombrar e pavor.
Não havia cachorros, mas sim uma enorme e cortante dor.
Enquanto atravessa esse vale, ela corre,
pois está com pressa de chegar ao seu lar
No aconchego e carinho do Pai
Depositar diante dele a sua bagagem
E em seu colo descansar.

"Quando o coração se me amargou
e as entranhas se me comoveram,
eu estava embrutecido e ignorante;
era como um irracional à tua presença.
todavia, estou sempre contigo,
tu me seguras pela minha mão direita.
tu me guias com o teu conselho
e depois me recebes na glória"


PS: Mas ela ainda tem medo de cachorro, esse é um dos descansos que terá ao chegar no lar.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Aprendendo a andar

Quando a Rebeca tinha uns 10 meses deu os primeiros passos,
ela atravessou a sala, foi de uma ponta a outra e nós ficamos apreensivos,
mas estávamos vibrando de ver nosso bebê dar seus primeiros passinhos.
Pena que ela caiu...
Ela ficou tão assustada que não tentou andar mais naqueles dias.
Alguns dias depois, recomeçou sua aventura,
dessa vez apoiada numa caixa
Arrastava a caixa pra todo lado e assim atravessava a cozinha,
Mas a caixa virou e ela caiu por cima da caixa e foi aquele choro...
Novamente, mais alguns dias se passaram até ela tentar de novo
Por fim, nem sei como ou quando exatamente,
mas ela começou bem devagarinho
pé por pé, com coragem, e depois de muitas quedas, aprendeu a andar.
Aqui estou eu, nos meus 35 anos, tentando aprender a andar.
Já levei tantos tombos que me deixaram traumatizada,
Porém me levantei de todos eles e fui, às vezes apoiada nas pessoas,
outras, me segurando nas paredes, em caixas,
me agarrando em tudo que aparecia para tentar levantar
Mas andei.
Hoje, depois da última queda, preciso tomar a decisão de andar
Preciso me levantar, preciso deixar a dor da queda,
me esquecer dela e andar...
Algumas vozes gritam para mim: — Vamos! Levante-se! Sai dessa!
Mas dentro de mim outra voz clama e diz: — Ainda não!
— Não dá para esperar mais, você está se acomodando!
— Ainda não!
O meu eu insiste... Ainda não!
Preciso me levantar, preciso prosseguir,
preciso aprender a andar daqui pra frente,
Mas dentro de mim eu ouço: "Ainda não!"


A dor do luto nos derruba de tal forma que é difícil recomeçar
É preciso ter coragem de levantar
As crianças aprendem a andar no seu tempo
Não existe um método acelerador
Depois de uma queda é preciso chorar,
tomar novo fôlego e recomeçar
O luto é assim... cada um se recupera no seu tempo
A decisão de sair do luto vem de cada um
Não é exatamente o tempo que nos cura
Mas a decisão de continuar e aprender a andar

Mas... Ainda não!